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Baneb: a escola, o balcão e o fim.

Neste artigo, o autor relembra sua trajetória no antigo Baneb e faz uma reflexão sobre como o trabalho bancário era marcado pela confiança, pela responsabilidade e pelas relações humanas. Ao comparar o passado com a realidade tecnológica atual, destaca que, embora os sistemas tenham evoluído, os valores, os aprendizados e a saudade de uma época em que a palavra e o compromisso tinham grande importância permanecem vivos.

Fui formado em datilografia.

Tecla dura. Fita gasta, papel carbono.

Se errava, rasgava tudo e começava de novo.

No Baneb não tinha “CTRLZ”.

Balcão de granito frio.

Fila até a porta. Suor e papelada.

“Seu João, o Senhor tá devendo - título venceu”.

“Dia 10 eu pago, filho”.

E pagava mesmo, porque a palavra valia

E o nome sujo na praça pesava muito.

No caixa a gente aprendia na marra.

Cheque sem fundo? Quem há de…

Gerente olhava por cima dos óculos.

Responsabilidade, rapaz. Isso aqui é banco do povo!

Depois veio a tela verde.

Piscando. Fria. Rápida.

A gente ficou mais esperto no dedo

E tentou não ficar mais devagar no coração.

1999, ano fatídico, aziago…

O Baneb virou outro banco.

Desceram a placa. Subiram outra.

Levaram nosso crachá.

Levaram os carimbos.

Mas não levaram o jeito que era só nosso,

Dos baianos, da Bahia, de todos nós.

O prédio também ficou.

A memória ficou. Ficou a escola.

Nós ficamos com a escola,

Com os ensinamentos.

Ficamos com a saudade.

Hoje tem sistema, APP, tem algoritmo.

Mas eu fui formado na datilografia,

No balcão e na confiança.

E isso tudo o tempo não apaga.

 

* Valdimiro Lustosa é ex banebiano