Desigualdade tem cor e gênero

Gênero e raça seguem como fatores determinantes de desigualdade no acesso e na permanência no mercado de trabalho brasileiro. Levantamentos recentes mostram que mulheres recebem, em média, cerca de 20% a 22% a menos do que homens.

Por Caio Ribeiro

Gênero e raça seguem como fatores determinantes de desigualdade no acesso e na permanência no mercado de trabalho brasileiro. Levantamentos recentes mostram que mulheres recebem, em média, cerca de 20% a 22% a menos do que homens, mesmo exercendo as mesmas funções, evidenciando a persistência da desigualdade salarial de gênero no país.

 

Quando se observa o recorte racial, as disparidades são ainda mais profundas. Trabalhadores negros recebem salários significativamente menores e enfrentam mais dificuldades de ascensão profissional. Em cargos de direção e gerência, por exemplo, chegam a ganhar cerca de 34% a menos do que trabalhadores brancos. Além disto, estão mais expostos à informalidade, ao desemprego e a condições precárias de trabalho.

 

A combinação entre gênero e raça agrava o cenário. Mulheres negras estão na base da pirâmide salarial, com maiores taxas de desemprego e menor estabilidade, refletindo a atuação do racismo estrutural e do sexismo no mundo do trabalho. Mesmo com avanços em escolaridade, esses grupos seguem enfrentando barreiras para ingresso e permanência em postos mais qualificados.

 

Diante deste quadro, especialistas apontam a necessidade de políticas públicas e ações institucionais que enfrentem as desigualdades estruturais, promovam equidade salarial e ampliem oportunidades. Para o movimento sindical, o desafio é fortalecer a luta por direitos, inclusão e valorização da diversidade no sistema financeiro e em toda a classe trabalhadora.